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Bem-estar de animais preocupa
frigoríficos
Notícia OESP - 13 de dezembro de 2007
São Paulo, - Preocupados com as
restrições à carne brasileira na Europa, frigoríficos brasileiros começam a adotar
meios para evitar maus-tratos aos animais de corte. Isso porque a questão pode se tornar
uma nova barreira nos países desenvolvidos. "Evitar os maus-tratos durante a
criação e abate dos animais traz ganhos econômicos e éticos aos produtores",
explica Temple Grandin, doutora em ciência animal pela Universidade do Colorado e
considerada a maior especialista mundial em bem-estar animal.
Pressionados por consumidores e entidades de defesa dos animais, grandes empresas, como a
cadeia de fast-food McDonald's e os varejistas europeus Carrefour e Tesco, estão exigindo
o selo de `bem-estar animal' na carne comprada. No Brasil, os frigoríficos Marfrig e
Bertin já possuem áreas estruturadas de bem-estar animal há quatro anos. Os técnicos
percorrem fazendas e frigoríficos para aplicar um sistema de auditorias de bem-estar,
desenvolvido por Temple, onde são verificados itens como o uso de choque elétrico para
conduzir o gado, quedas e lesões, e eficiência no abate - se o animal é morto logo na
primeira tentativa.
Temple veio ao Brasil justamente para ensinar boas práticas aos produtores e
frigoríficos locais. O convite veio da Braslo, empresa de alimentos que atualmente é a
principal fornecedora de produtos de carne para as redes McDonald's e Outback. Por
exigência das cadeias de fast-food, desde 1999 a Braslo passou a exigir esse
comprometimento dos fornecedores e ajudou a propagar o movimento no Brasil. Grupos
varejistas como Carrefour e Pão de Açúcar também começam a pressionar os fornecedores
para que estejam atentos à questão.
Qualidade
Além de evitar o sofrimento dos animais, o movimento tem razões práticas. Ao sofrer
maus-tratos no processo de criação e abate, o gado libera toxinas que alteram o PH
(índice de acidez que vai de zero a sete) da carne. Quanto mais alto o PH, pior a
qualidade da carne. "Em regra, a carne com PH acima de 6 não entra no mercado
europeu. É considerada mais rígida e de qualidade inferior", explica Waldemar Gomes
Silva, gerente de qualidade do frigorífico Bertin, que exporta 90% de sua produção de
carne bovina. Segundo ele, é fácil perceber quando o animal sofreu maus-tratos. "A
carne tende a ter uma coloração mais escura e há lesões."
Stravos Tseimazides, coordenador do setor de bem-estar animal do frigorífico Marfrig,
conta que consumidores europeus chegam a pagar um prêmio de até 3% sobre o quilo da
carne produzida dentro dos preceitos do bem-estar animal. "Não é um processo caro
de implementar e o ganho de qualidade é evidente", diz. Em breve, seguir normas
mínimas de bem-estar deverá ser mandatório no mercado interno. O Ministério da Agricultura está
revisando as normas fitossanitárias para a carne e a nova portaria deverá incluir esses
cuidados.
Segundo Temple, medidas simples - como proteger os animais do excesso de calor - podem
aumentar o rendimento em até US$ 18 por animal.
As informações são do O Estado de S. Paulo (AE)
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